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Museu do Prado para não videntes. “Hoy Toca el Prado”



O Museu do Prado desenvolveu uma pesquisa de imagens para texturalizar, dar volume e formas à obras de grandes artistas como Leonardo da Vince, Diego Velázquez etc. O resultado é impressionante, foram feitas réplicas, as quais é possível toca-las e sentir a tela com as mãos.

Segundo o Museu do Prado, esta é a primeira tentativa do museu na adaptação de seis obras para deficientes visuais, utilizando inovação e a tecnologia, as obras representam alguns dos gêneros expostos no Museu, e agora podem ser tocadas. Além disso, o projeto foi desenvolvido com a colaboração de profissionais com deficiência visual (o que ganha maior credibilidade na realização do trabalho, na minha opinião), e pretende perceber a realidade da pintura representada para recria-lá mentalmente e  alcançar uma percepção emocional da obra. A exposição também terá material didático com textos em braille e audioguias. Uma excelente iniciativa que deveria ser copiada pelos demais museus de todo o mundo.

As obras ficarão em exposição no Museu do Prado em Madrid até 28 de junho de 2015.

Obras expostas:

1. Noli me tangere, Correggio, Oleo sobre tabla, 130 x 103 cm, hacia 1525, Madrid, Museo Nacional del Prado

2. La fragua de Vulcano, Diego Velázquez, Oleo sobre lienzo, 223 x 290 cm, 1630, Madrid, Museo Nacional del Prado

3. El quitasol, Francisco de Goya, Oleo sobre lienzo, 105 x 152 cm, 1777, Madrid, Museo Nacional del Prado

4. La Gioconda, Leonardo da Vinci, Oleo sobre tabla, 76,3 x 57 cm, 1503 - 1519, Madrid, Museo Nacional del Prado

5. El caballero de la mano en el pecho, El Greco, Oleo sobre lienzo, 81,8 x 66,1 cm, Hacia 1580, Madrid, Museo Nacional del Prado

6. Bodegón con alcachofas, flores y recipientes de vidrio, Juan an der Hamen y León, Oleo sobre lienzo, 81 x 110 cm, 1627, Madrid, Museo Nacional del Prado

Vídeo sobre o trabalho colaborativo entre videntes e não videntes


Exposição da artista Ananda Peres deficiente visual - EM CARTAZ

Olá, mais um dia de pesquisa sobre o assunto, encontrei a divulgação dessa exposição "Ponto Arte", que propõe a exposição do trabalho da artista Ananda Giordano Peres A exposição também tem identificações e textos em braille, além de apresentar o recurso de áudio-interpretação das obras, com total acessibilidade aos deficientes visuais. 

Local: Galeria PontoArt 
Endereço: Rua Inácio Pereira da Rocha, 246, Vila Madalena - São Paulo - SP
Tel.: 11 2548 1661.
Exposição: de 31 de outubro a 29 de novembro.2014 
Horário: terça a sexta das 11h às 18h e sábados das 12h às 17h. 
Não abre domingo e segunda-feira. 
Estacionamento com desconto: Rua Fradique Coutinho, 1025.

Exposição: 6ª Semana da Acessibilidade no CCBB

De 3 à 8 de Novembro de 2014, o Centro Cultural Banco do Brasil, promove 6ª  Semana de Acessibilidade, com o Tema "Repense Acessibilidade", confira a programação no cartaz ao lado.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo - SP, 01012-000
Próximo ao Metro Sé
Telefone:(11) 3113-3651



Site: 
Face: https://www.facebook.com/ccbbsp

Museus adaptados: Belas-artes para cegos




Logo na bilheteria, o cobrador solícito entrega o ingresso com inscrições em braile; ele oferece também o livreto, escrito da mesma maneira, que serve de guia para o passeio. Nesse ponto, a recepção no Museu de Belas-Artes de Nice, na França, e no Museu dos Cegos de Madri, na Espanha, é muito semelhante. Inaugurados no final do ano passado, ambos se dedicam ao público com deficiência visual. A diferença é que o museu espanhol exibe peças criadas especialmente para pessoas cegas, enquanto quem visitasse o museu de Nice, no mês passado, poderia observar o trabalho de dois dos maiores mestres da escultura mundial, os franceses Jules Carpeaux (1827-1875) e Auguste Rodin (1840-1917). Os dois locais, porém, misturam arte e tecnologia, para atender àquelas pessoas impossibilitadas de enxergar. 

Até a arquitetura do museu de Madri foi projetada no sentido de facilitar a visita dos deficientes visuais. Ali, eles dispõem de 40.000 livros em braile, 60.000 trilhas sonoras e 5.000 trabalhos de arte, que incluem, por exemplo, maquetes de edifícios históricos das cidades mais famosas do mundo. Para que os visitantes se orientem pelos corredores, os arquitetos colocaram materiais diferentes nos pisos das salas – assim, graças aos sons produzidos pelas passadas, os cegos podem saber se, por engano, estão entrando em um local já visitado. A iluminação ambiente e as cores das paredes foram escolhidas criteriosamente, no sentido de ajudar as pessoas com cegueira parcial. 
Entre as peças expostas mais curiosas estão miniaturas de monumentos, como a Estátua da Liberdade, símbolo máximo de Nova York, nos Estados Unidos. Há, ainda, um mapa da Espanha em alto-relevo, criado em 1879, com os nomes das cidades em braile. Entre as maquetes, destaca-se a cidade velha de Jerusalém, em Israel. Os visitantes passeiam com as mãos pelas pequenas ruas, recriadas em madeira. Quando a ponta do dedo para em algum local, uma gravação é acionada, informando onde ele se encontra naquele instante. Para completar a atmosfera, aparelhos especiais liberam odores típicos da cidade israelense. 

A construção de um museu como esse era uma antiga idéia da Organização Nacional dos Cegos da Espanha que, ao contrário de outras instituições do gênero, sobrevive à própria custa. Trata-se de uma das dez maiores empresas do país, que movimenta algo em torno de 3 bilhões de dólares anuais, controlando jornais e até a loteria madrilena. Já o Museu de Nice foi desenvolvido com a ajuda do governo francês. No início do ano passado, o Ministério da Educação e Cultura, da França, criou um concurso com o slogan “Crie um museu para cegos”. Venceu a Secretaria de Turismo de Nice. O maior investimento – em torno de 300.000 dólares – foi para a instalação de faixas eletromagnéticas nos corredores. 

Mal chega, o visitante do Museu de Nice recebe uma bengala especial, que é atraída pela faixa magnética. Quando deseja tocar em algum objeto e se afastar da faixa, a pessoa simplesmente desliga um interruptor. Ao liga-lo novamente, a bengala passa a captar um sonar. Assim, o ruído vai ficando mais forte, à medida que a pessoa se aproxima da faixa, para retomar a caminhada. Os franceses, no entanto, ainda não estão satisfeitos. O museu mantém convênio com laboratórios , para aperfeiçoar ainda mais suas instalações. Até o final do ano, as bengalas – que hoje pesam 280 gramas – devem ficar um quarto mais leves, graças à pesquisa de novos materiais. Os cientistas envolvidos com o museu também se preocupam em desenvolver luvas especiais, que não eliminam totalmente a sensação tátil, mas ajudam a proteger obras mais frágeis, que hoje em dia não podem ser tocadas pelos deficientes visuais, por motivos de segurança. 

A maioria dos museus franceses dá permissão a pessoas cegas que toquem esculturas maiores ou menos frágeis, que se encontram fora de redomas. Calcula-se que 1% dos franceses sejam deficientes visuais; a mesma porcentagem, aliás, de outros países avançados, como Estados Unidos e Japão. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a incidência de cegueira no Brasil parece ser ligeiramente maior, ficando por volta de 1,5%. Uma provável explicação para essa diferença é a falta de campanhas de prevenção. Em mulheres no início de gravidez, algumas doenças infecciosas podem provocar a cegueira do bebê. O problema seria evitado com a ajuda de vacinação adequada. Os deficientes visuais brasileiros também não recebem o mesmo apoio que vêm recebendo os europeus: não existem projetos de museus especializados para essa população. A única iniciativa semelhante que se tem notícia, segundo a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, é a do Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo. Ali, ao menos, já existem guias de visitantes, escritos em braile.

Entrevista retirada na íntegra do site da Revista Super Interessante. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cultura/museus-adaptados-belas-artes-cegos-440824.shtml>. Acesso em: 23 de out. de 2014.