
Esref Armagan, é um pintor cego de nascença, nascido na Turquia em uma família pobre nunca chegou a ter algum tipo de formação formal, tendo que aprender a escrever sozinho. Por mais de 35 anos ele aperfeiçoou sua técnica de pintura a óleo com as mãos, ele pinta sem a assistência de qualquer indivíduo e realiza desenhos em perspectiva.Para trabalhar ele se retira para um ambiente calmo e silencioso, com um estilete Braile ele vai desenhando o esboço da pintura, “Sentindo o desenho que se esconde dentro da pintura”, seu envolvimento é tanto que quando ele pinta uma imagem do mar ele pergunta se precisa de um colete de salva vidas para não se afogar. Após ficar satisfeito com o desenho ele começa a pintar com os dedos, pintando uma cor de cada vez e tinta secar para pintar novamente com outra cor. Este é o único método que ele se faz uso. Ele também desenvolveu sozinho seus próprios métodos para fazer retratos. Para retratos ele pede a uma pessoa com visão para desenhar em torno de uma fotografia do modelo, ele então ele vira o papel e sentindo-o com a mão esquerda, ele transfere o que ele sente em para a outra folha de papel e então ele adiciona as cores. Ele fez retratos da ex-primeira dama da Turquia, o atual presidente (Recep Tayyip Erdoğan) e o atual primeiro-ministro (Ahmet Davutoğlu). Sr. Armagan está atualmente com 41 anos de idade, é casado e tem dois filhos. Ele tem apresentado o seu trabalho em mais de 20 exposições na Turquia, na Holanda e na República Checa.

A criança desde a mais tenra idade se expressa através das diversas linguagens da arte como: quando dança, desenha, canta e teatraliza. E quando esta desenhando explora seu imaginário pessoal para expressar o que pensa e como pensa. Porque o desenho não é apenas copiar formas e figuras, mas o ato de desenhar é a tentativa de proximação da criança com o mundo. Para Derdyk (2010), o desenho é uma manifestação gráfica que não se restringe somente ao uso do lápis e papel, através de marcas gráficas (ponto, linha, textura e mancha), mas também é um risco no muro, uma impressão da mão numa superfície etc. Portanto, a minha pesquisa buscará compreender como a criança cega explora imaginários/imagens mentais através do da representação gráfica, e qual a importância dessas imagens para a criança.
Portanto, será nessa perspectiva que irei abordar sobre o desenho, e o nível de deficiência visual será a cegueira em ambos os olhos Cid-10 H54.0. E o que me surpreendeu até agora nas leituras, foi esse trecho de Amiralian (1997):
[...] a primeira preocupação com a cegueira foi a da medicina, que a percebia como uma consequência de doenças e buscava minimizar essa deficiência com o objetivo de tornar a pessoa normal novamente. Os médicos se interessavam sobre quanto uma pessoa com deficiência visual era capaz de ver, o que levou à definição de medidas para avaliar a capacidade visual. A medida mais usada, desde então, é a avaliação de duas funções oculares: acuidade visual - que consiste em discriminação de formas - e campo visual - relativo à capacidade de percepção da amplitude dos estímulos. A capacidade visual é avaliada por essas medidas, com todas as correções ópticas possíveis (óculos, lentes etc.).[...]
Após ler esse trecho de Amiralian (1997), conclui que na educação a discussão ainda é muito "nova", assim como as quebras de paradigmas no ensino da Arte.
Referências Bibliográficas
AMIRALIAN, M. L. T. M. Compreendendo o cego: uma visão psicanalítica da cegueira por meio de desenhos-estórias. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997
DERDYK, E. Formas de pensar o desenho – Desenvolvimento do grafismo infantil. 4 ed. Porto Alegre: Zouk, 2010.